Pra enganar a saudade...

    



    Pra enganar a saudade, eu leio seus textos, busco fotografias, e lembro da sua voz que por muito tempo rompeu a barreira dos meus sonhos e me despertou para a vida. Com apertos fortes e carinhosos, me fazia acordar, as vezes contrariado, para os anseios do dia. Particularidades da nossa relação que deixaram saudades. 

Ah, a saudade... sentimento difícil de explicar mas tão fácil de identificar. Que surge com o cheiro do teu perfume, que desponta ao virar a esquina da nossa casa, ou até mesmo com o som do seu assobio, daqueles que você soltava quando queria me chamar de volta pra debaixo das tuas asas. Aliás, até mesmo a sua maneira de assobiar me fascinava. 

Quanta admiração cabe dentro de uma pessoa? Sempre me perguntei e nunca obtive uma resposta. Sigo te admirando e tentando honrar seus ensinamentos. Seus defeitos, que não eram poucos, ficavam para trás. Você fazia questão de me mostrar o caminho correto, mesmo que parecesse hipocrisia da sua parte. 

Com os seus textos, ao narrar a vida através dos seus olhos, toda manhã, você encantava o mundo de dentro da nossa casa, sentado numa cadeira desconfortável de madeira. Quantas mensagens rasgando elogios aos seus textos eu recebi... Quantas vezes me diziam que o dia só começaria bem se lessem seus pensamentos... 

Em um processo de construção peculiar, você rascunhava suas ideias num caderno de anotações, e da sua maneira tirava do papel, catando migalhas para expor seus devaneios aos amigos virtuais.

Hoje ninguém mais fala das tuas obras, mas todas elas, na minha memória, seguem vivas e guardadas. Palavras por palavras. Cada história, que com humor foi contada, com um sorriso é lembrada. 

Pra refletir: hoje você se chama saudade! com saudades sim, nada de tristeza!


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