Desde que mamãe faleceu eu nunca mais vivi as datas festivas do jeito que eu aprendi, e cresci amando. Sempre me adaptando a uma nova realidade, a uma nova famÃlia, seguindo outros costumes. É como se eu chegasse com um tantan num show do Slipknot tentando me encaixar na bateria da banda.
Sempre me senti acolhido, mas nunca pertencente. Normal. FamÃlias e tradições diferentes. Por mais que eu quisesse, e eles tentassem, eu não seria tratado da mesma forma. Era impossÃvel. Mas com o passar dos anos a gente aprende a admirar isso, e reaprende a se divertir nessas datas.
Sempre grato pelo espacinho que cultivei no coração e na mesa de cada famÃlia que me acolheu, tento dar o melhor de mim. Coloco em prática toda educação que me foi ensinada.
Apesar de todo carinho, fica sempre um sentimento de vazio. A palavra mais correta não é saudade. Eu não sinto apenas saudade. Eu sinto falta. Falta de viver o que vivia. Falta de sentir aquela sensação e todos aqueles sentimentos prazerosos que sentia quando via minha famÃlia reunida, tomando uma cerveja e cantando um pagode.
Pouco a pouco vou caminhando, vivendo na expectativa de criar minha própria famÃlia e levar adiante a alegria que me foi passada. Isso, em mim, nunca vai mudar.
Boas festas!

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